segunda-feira, 24 de novembro de 2008

pode

pode

Pode falar que chegaram a ter intimidade.
Pode falar que chegaram ao auge da intimidade.
Fale até que a intimidade é uma merda.
Mas aposto nas coisas que você só faz sozinho.

aquilo

aquilo

Aquilo não foi instinto.
Eu juro.
Foi raciocínio completo.
E lógico.

brincar

brincar

Brincar? Claro.
Mas sou eu quem banca o Jason daqui pra frente, sim?

terça-feira, 28 de outubro de 2008

como

como

Como se qualificar uma coisa como "humana" a tornasse menos sádica ou asquerosa.
Sangue humano, bosta humana, recursos humanos, relações entre humanos, forma mais humana de se matar uma lagosta...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

contei

contei

Contei uma, duas, três, quatro cadeiras.
Em cada uma delas, havia uma delas que, em ritmo triatlético, trocava seus envernizados, elegantes e, mais que tudo, desconfortáveis sapatos por um par de tênis velhos.
Caminho pro fim da dúvida sobre qual é o gênero mais adaptável entre os mamíferos.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

trilha

trilha

Trilha perfeita para o presente: 'tan-dandan-daran-dandan, tan-dandan-daran-dandan'...
- Ice Ice Baby?
- Não, Under Pressure mesmo.
Foi quando declarou para si mesma que concluiria algum mísero projeto naqueles dias e noites de cão. Nem que fosse o da auto-destuição.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

lembrava

lembrava

Lembrava exatamente em que pensava quando foi atropelada.
Quando perdeu o ponto do ônibus. Quando esqueceu de dormir.
De fazer aquilo que na quinta pela manhã estaria pronto, juro.
De pegar a bolsa e trancar a porta e fechar o zíper.
De manter o orgulho e a blasé.
Lembrava.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

indecisão

indecisão

Indecisão tamanha e constante que, para evitar muitos passos atrás em seu discurso, se dizia agnóstico, caminho do meio, de centro, metamórfico, em cima do muro.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

deita

deita

Deita fora a parte dos financiamentos de longo prazo e se dá conta de que, apesar de todas as contas, ainda pensa como quando tinha cinco. Ainda bem!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

estudando

estudando

Estudando confundi sbagliare com dimenticare. Sei lá... errei, esqueci mesmo. Foi um caco de surpresa ver que a tutora não achou o fato nem um pouco estranho. Será que ela também acha que essas palavras são companheiras constantes, numa ou noutra língua? Talvez porque quando se erra é ótimo esquecer, mas quando se esquece é bem mais fácil errar [o que parece a explicação que eu, com minha idade vezes quatro, daria a mim mesma depois de um tropeço].

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

tão

tão

Tão turvas que ficam claras. Engraçado como as coisas são assim.
Pena que todas as conclusões sejam nuvens no dia seguinte.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

espresso

espresso

Espresso. Era o que tomava quando ele sugeriu que pensasse sobre o que é motivo e o que é meio de vida.
Me convenceu: peguei a caixa com as minhas coisinhas e esparramei tudo pelo chão, para começar a classificação. Vi que é impossível separar. Algumas coisas têm cara de razão para carregar a caixa toda mas, se olhar bem, elas não passam de incentivo para aguentar o peso das outras, ou distração mesmo.

umas

umas

Umas vezes falei que comentar ou tentar explicar algumas coisas as destrói por completo. Mas naquela manhã foi difícil demais resistir à tentativa de entender se, quando cantou o "fim", queria dizer "final" ou "finalidade", se o "meio" era "modo" ou "metade".
Não pergunto, nunca vou saber.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

trânsito

trânsito

Trânsito caótico. Se ouve a música nova, poderia ser pior. Rotina terrível. Se tem o bibelô na mesa, melhor assim. Trezentas calorias diárias. Se perdeu cem gramas, poderia ser pior. Fim de mês com seis reais. Se dá para uma pinga, melhor assim.
Desse jeito ela vai. Tudo bem, tudo certo, perfeito e ótimo.
Pobre dessa Pollyana em tempos de Polly Pocket.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

lâminas

lâminas

- Lâminas branqueadoras na pasta de dente? Prefiro no gilete! Assim posso usar camiseta regata.

Mulheres são mesmo tão estranhas ou é só pela lente torta da televisão?

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

liga

liga

Liga, não-liga, liga, não-liga, liga, não-liga.
É das poucas coisas capazes de pegar
a miss Venezuela com seu vestido novo,
a militante da causa dos vestidos velhos,
o cara que usa vestidos velhos ou novos.
E tranformá-los na mesma insana pessoa.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

cerveja

cerveja

Cerveja gelada no copo de requeijão.
O vidro é estampado por um cão cinzento.
Igual ao gato que se avessa pela casa.
De um colchão dobrado, foi feito sofá.
Porta, janelas, mas por que espairecer?
Lá fora, movimentam o som da rua cheia.
Aqui, cabeça vazia de tão tranquila.

domingo, 27 de julho de 2008

outros

outros

Outros terços dos 90. Na Sunset Burguer era pão com salsicha e queijo. O cara da rua de trás era o Kevin; a garota, Beckham. A adolescente confessa era a Diana. Enquanto a Ranger era amarela, bala e gelatina, só vermelhas. A mamona não era Jumento Celestino (exigia coordenação demais), era Chopis Centis. Esportes? Pebolim, porco, queimada e tapão.
No terceiro terço, a Sunset faliu. Kevin e Beckham deram lugara a uns cabeludos de flanela. Com Sonic e Chun Li, era uma negação bem divertida. A Diana pareceu uma chata, igual aos Rangers, quando passaram a ter cores novas. Mamonas muito lentas para fazer chorar tias na tv, eca! As balas mais gostosas continuaram vermelhas.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

primeiro

primeiro

Primeiro terço dos noventa.
Foi quando começou a ser mais aberta com os colegas e o gosto por poder... ajudar.
Foram dois meses para superar expectativas. Quatro para ficar mais alegre.
Dois para mostrar que gosta de elogios. Todo o resto para não saber lidar com eles.
Do desenho livre saía caneca de café, menina, bombeiro, pinóquio.
E mais cama, espinhos, sapato da menina, casa, formiga, nariz dele.
Céu, bobo, árvore, irmã, escada, bola, monstro, fada do pinóquio.
Diziam que iria longe, mas não devia apertar tanto o giz (borra o desenho).

sexta-feira, 18 de julho de 2008

andar

andar

Andar por aí. Isso às vezes mostra umas cenas que caberiam nos filmes.
# Um violinista de estação ensinando uma menininha a tocar [dá para a Disney rodar e vai ver gente chorando igual quando morre o pai do Simba]
# Um cara chutando compulsivamente uma casca de banana para a rua [cabe fácil num filme de gente cheia de manias]
# Um vira-latas com coleira de camurça azul-bebê, todo preocupado e comportado na porta do hospital. Lá dentro, mais uma menina de filme dormindinha no colo do pai [dá para a Disney rodar e...]

quinta-feira, 17 de julho de 2008

tinha

tinha

Tinha tanta perturbação em ver de novo o que já vira, ouvir a mesma ladainha, ser mandado fazer o que já ia... Que seu maior medo era não agüentar, decidir acabar com isso num pulo, mas ser empurrado antes.
Nesse conflito ele seguia, para o azar dos dedos, das unhas, dos cabelos, dos amigos. Inchados de estralar, roídas até o sangue, arrancados ou comidos, quase o fim da conversa do bar.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

pessoa

pessoa

Pessoa nenhuma achou graça, exceto ela, quando respondeu à pergunta astrológica:

- Áries, mas só quando eu bebo.

terça-feira, 15 de julho de 2008

talvez

talvez

Talvez não sejam coletivas, mas é improvável que algumas analogias sejam de um inconsciente só. [tão improvável quanto as coisas de uma única pessoa no planeta dos tantos bilhões, mas vamos lá:]

# A coruja como um ser sabichão
# O 6 como um número cor-de-rosa

Difícil é explicar o que acontece com o A, a primeira letra que muda sua cor de cartilha em cartilha.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

falar

falar

Falar certas coisas acaba com elas.
Fechar o livro e
- Que lição?
Deixar o teatro e
- Interpretação?
Aula de fato boa
- Vai ter chamada?
Hum...
- Foi bom?

sexta-feira, 11 de julho de 2008

sem

sem

Sem responsabilidade alguma pelo conteúdo. Toda culpada pela pescoçada na leitura de estranhos.

# "Canção de louvor à felicidade conjugal." (?)

# "Minha mãe morreu no dia de Natal. Agora, por favor deixe-me sozinha." (!)

# "A felicidade depende da sua liberdade." (...)

entre

entre

Entre tabus e tábuas. Síncopas e síncopes. Sem roupa, sem casco, cascas, cápsulas.
Tudo é rotina, nada é corriqueiro: gente ainda se afeta, gente ainda se afasta.