sexta-feira, 15 de abril de 2011

passado

passado

Passado o das mulheres e o da mentira, talvez seja hora de falar de alguns homens.

Ele foi quem contou que podia ser mesmo verdade que o S da sigla do partido fosse por causa das roupas que eles sempre usavam. Terno, gravata, essas coisas sociais.
Foi também o primeiro a me pintar um quadro menos naif do Lobato, com aquele livro sobre petróleo e depois com o do príncipe da Rockefeller.
Em seguida, porém, falou sobre as ideias que só funcionavam da porta do bar para dentro.
Tentei concordar com o último ensinamento, mas uns valores me pregam peças sempre que tento dribla-los. Me ganham e saem mais fortes. E ainda tem quem os chame de excentricidades ou coisa de gente radical demais.

Ele escolheu a das formas denunciantes de boa companhia para a gelada. (e que morra de copo vazio quem achar que não foi a melhor opção) Essa que ainda acha que tem algo a ensinar, mas só tem aprendido nesse tempo. Grande adepto das metáforas futebolísticas, tem incentivado a matar a vida no peito e partir pra cima. Eu, que nem acreditava na existência de altruísmo, fui conhecer esse cara que diz: “Voa! Voa! Mas antes me diz se quer que eu segure as pontas por aqui ou vá te ajudar a ajeitar as penas lá... Pode ser?”

Ele se mostra entendedor de todo tipo de coisa, mas se mostrou esperto mesmo quando soltou: “e você foi experimentar sutiã de TPM?”
Depois das brincadeiras violentas de criança (guerra de raízes!), já lembramos os velhinhos que seremos (?), se ainda existirem pessoas que desdobram cadeiras na frente da casa, para jogar conversa fora.

* Electra também não escolheria outro para chegar primeiro.

quinta-feira, 31 de março de 2011

misantropia

misantropia

Misantropia, misoginia.
Teriam saído da mesma sopa azeda de letrinhas?

* Homenagenzinha a quem (aposto) adoraria dormir, acordar e se ver Kilmister no espelho.

sexta-feira, 18 de março de 2011

brancas

brancas

- Brancas! Tantas anotações inúteis em folhas brancas de papel... [e continuou com o óbvio já tão esperado que deu até espasmos no braço ao ouvir] Não se preocupa com o planeta, não?
- Talvez você possa se interessar, dá uma olhada lá!
E entregou a folha qualquer - onde se lia "A Life Connected" - já imaginando se faria algum sentido para quem acha que a consciência se limita a comprar cosméticos com refil, ter uma conta no banco dos talões em papel reciclado, varrer calçadas e mais alguma sustentablabladade.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

chamada

chamada
Chamada para conversar com crianças invisíveis...
Era mesmo hora de tentar aprender com a Belinky?

De livro em livro, a Bandolina

Já viu a menina do livro?
Falam muito dos prodígios
da Bandolina, essa menina
que passeia entre os arquivos.

Disseram que comeu os figos,
pulou no Delta do Nilo.
Deu cambalhota, fez a maloca.
Tudo de livro em livro.

Lá estava no Dia do Fico,
fugiu ao não conter o riso.
Perdeu o sapato, mas levou o gato,
o seu querido Gatino.

- Por que o estranho sorriso?
Quase que meteu seu bico:
- Dor de barriga, da Monalisa.
Por isso que é esquisito.

Conheceu morros e picos.
Viu todo tipo de bicho.
Bota o pé na água, vê asa de fada.
Qual seu próximo destino?

Encontrou um moço sabido.
Falaram sobre mosquitos,
de bebê panda e até da Ruanda.
Foi com ele para o Egito.

Por fim cansou, queria abrigo.
Andou, ô se andou até esse livro.
Nessa página fez a sua casa.
O seu novo esconderijo.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ninguém

ninguém

"Ninguém quer saber
O gosto do sangue
Mas o vermelho
Ainda é a cor que incita a fome"

Sol na cabeça e um dos melhores discos/poesia já ouvidos fazem retomar isso aqui com primeira coisa de punho alheio - se desconsiderar a pescoçada na leitura de estranhos em 2008.