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Fervendo água pra um litro de chá de boldo aqui, pra digerir.
É que, como tudo na vida de uma mulher, amanhã é um dia que tem a ver com homens.
Dia de homem, mais cheio de boa intenção que o próprio inferno, vir dar aula pra gente, sobre o que é ser mulher, o que é ser bonita e como é que se luta.
Faz dois meses agora, foi desde essa última virada de ano, que Nelson Cavaquinho não parou de cantar aqui no fundo da cabeça sobre o Juízo Final e sol renascendo.
Hoje isso me puxou pra assistir de novo a "O primeiro dia", que tem a ver com virada também, e tem Nelson cantando disso também. Só que é o Sargento, que faz o papel do Vovô.
O filme parece ter pegado uma fórmula de mexer fundo comigo e botado na tela.
Fico sem palavras, aí acaba sobrando adjetivo: humano, real, sensível, lindo.
Só pelo roteiro eu já me sentiria completamente na pele de Rosa ou de Maria. Já vivi também minhas histórias arriscadas com um João, Francisco ou Pedro.
Como se não bastasse a força do roteiro, os diretores ainda quiseram overdose de poesia com a fotografia e uma trilha feita por gênios.
Geniais também as atuações, no tanto que elas acrescentaram, arrepiaram.
Sofrer parece definitivamente grande perto de não viver, ou não saber. E o que vem logo depois, é ainda maior.
A chance de ver as coisas virarem...que chance!
Até lá, é muito encontro, muita fuga mal explicada, muito esbarrão, desespero de morrer e de matar, de renascer.
Direção de Daniela Thomas e Walter Salles, que também assinam o roteiro, com José Carvalho e João Emanuel Carneiro.
Fotografia de Walter Carvalho e trilha de BID, Naná Vasconcelos e Antônio Pinto
Entre as atrizes e atores, Fernanda Torres, Luiz Carlos Vasconcelos, Matheus Nachtergaele, o Nelson Sargento, Tonico Pereira, Carlos Vereza e Luciana Bezerra.
Moça, não esquece das suas raízes.
Lembra sempre dessas que estão aí dentro faz tempo, de onde vem o alimento primordial.
E também dessas aqui embaixo (da terra e do texto :), quando precisar ou quando der vontade, ou ainda as duas coisas juntas, bem temperadas.
Beterraba: fonte de folato, que é importante na prevenção de anemia e essencial para cérebro e nervos. Ajuda a controlar pressão arterial e é fonte de betacaroteno, antioxidante que o corpo converte em vitamina A, boa para imunidade e saúde da pele e mais. É usada por quem corre, nada ou pedala para ter mais energia e melhor recuperação muscular. Ainda é um corante lindo e natural, para bolos, biscoitos, cremes, saladas e sucos.
Cenoura: rica em betacaroteno, é importante para a saúde dos olhos. Por ser antioxidante, ajuda o corpo a se defender dos radicais livres, que chegam de brinde nos medicamentos, na água e ar poluídos, nos excessos, estresse e inflamações.
Batata-doce: alcalina, ajuda no metabolismo proteico e na circulação, por ser rica em vitamina B6. Ainda tem potássio, manganês (esse mineral ajuda na geração de energia e a lidar com a TPM) e as vitaminas E e C - antioxidantes.
Gengibre: digestivo, reduz enjôos e dores no estômago. É ainda antiinflamatório, antioxidante, antisséptico, estímulo para a circulação, e aliado do corpo na cura de doenças respiratórias.
Cúrcuma: amarela, é campeã dos "antis"! Antioxidante, antiinflamatória, antiviral, antifúngica e inibe crescimento de células malignas.
Inhame: grandes ou pequenos, alimentam bem. Já o inhaminho (taiá) é superpoderoso e a Sônia Hirsch escreveu um livro só pra ele! Limpa o sangue, fortalece o sistema imunológico, ajuda a evitar doenças transmitidas por mosquitos e é usado ainda em forma de emplastro para tirar coisas estranhas ao corpo (unha encravada, espinha inflamada, furúnculo etc.)
* As informações sobre nutrientes foram confirmadas na página da nutri Priscila di Ciero.
E o livro da Sônia se chama Inhame Inhame.
Saudade da Amy.
Da sua história, queria saber só do puta talento, da alma sensível, das risadas, dos arrepios que já me causou... Mas não.
Concordo com quem diz que o álcool, ou seja lá o quê, não pararia sozinho coração.
Botar tudo na conta de uma substância e não falar sobre como é que se dá a relação com a comida, com nossos corpos, com ganância e misoginia, soa absurdo.
Pelos sentimentos que vazam em sua poesia, voz e música, parece que o que a consumiu tinha a ver com tentar preencher um vazio, ou silenciar um barulho que atrapalhava por dentro.
É cortante esperar amor e receber julgamento.
E nessa situação, parecia impossível mesmo aguentar o baque de estar em um furacão de holofotes, revistas, interesses e relacionamentos com homens (seja pai, marido ou produtor).
Ela adoeceu e quase ninguém ligou pra saúde dela. O que tinha era muita gente pra apontar, comentar, fazer piada, ou ainda correr pra ganhar um dinheiro com ela enquanto dava.
Ela estava indo embora e só se comentava sobre suas tentativas de abstrair, riam do estrago, de peitos. Não precisa ser criança pra sucumbir a isso.
Fez cirurgia pra botar silicone, e pouco depois a vida, do corpo, foi.
Eu sinto muito, Amy.
A paz que queria pra você, era pra ser de todo mundo.
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Patriarchy, male entitlement, & capitalist greed killed Amy Winehouse, not boozing
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"Janis Joplin, uma cantora de blues da década de 60, é um bom exemplo de uma mulher braba cujos instintos se viram prejudicados por forças alquebradoras do espírito. Sua vida criativa, sua curiosidade inocente, seu amor pela vida, sua atitude irreverente para com o mundo durante os anos do seu crescimento eram impiedosamente criticados pelos seus mestres e por muitos dos que a cercavam na comunidade batista de meninas brancas "bem-comportadas", no sul dos Estados Unidos. Embora fosse excelente aluna e pintora talentosa, era repudiada pelas outras meninas por não usar maquiagem e pela vizinhança por ouvir jazz e gostar de escalar uma formação rochosa fora da cidade para ficar lá cantando com seus amigos. Quando afinal fugiu para o mundo dos blues, era uma pessoa tão carente que não sabia mais dizer quando era a hora de parar.
[...]
Há algo em Bessie Smith, Anne Sexton, Edith Piaf, Marilyn Monroe e Judy Garland que apresenta o mesmo padrão de instintos prejudicados pela fome da alma: a tentativa de "se ajustar", a tendência à intemperança, a impossibilidade de parar. Poderíamos trazer uma longa relação de mulheres talentosas de instintos feridos que, num estado de vulnerabilidade, fizeram escolhas infelizes. Como a criança da história, todas elas perderam seus sapatos feitos à mão em algum ponto do caminho e de algum modo chegaram aos perigosos sapatinhos vermelhos. Todas elas estavam cheias de mágoa por ansiarem por alimento para o espírito, por histórias para a alma, por vaguear naturalmente por aí, por enfeites que se adequassem às suas próprias necessidades, pelo aprendizado de Deus e por uma sexualidade simples e sã. No entanto, distraídas, elas escolheram os sapatos amaldiçoados — crenças, atos, idéias que fizeram com que sua vida se deteriorasse cada vez mais — que as transformaram em espectros a dançar loucamente. Não se pode subestimar o dano causado aos instintos como raiz do problema quando as mulheres parecem estar loucas, são possuídas por uma obsessão ou quando estão presas a modelos menos maléficos mas, ainda assim, destrutivos. A recuperação do instinto ferido começa com o reconhecimento de que a captura ocorreu, de que uma fome da alma se seguiu, de que os limites normais de insight e proteção foram perturbados. É preciso reverter o processo que causou a captura da mulher e a conseqüente fome.
[...]
Janis Joplin começou também a realizar os desejos selvagens de outras pessoas. Ela assumiu uma presença arquetípica que os outros não tinham coragem suficiente para assumir. Eles aplaudiam nela a rebeldia como se ela pudesse libertá-los sendo selvagem no lugar deles. Janis fez mais uma tentativa de se adequar antes de começar seu longo mergulho no comportamento obsessivo. Ela se juntou às fileiras de outras mulheres vigorosas, porém feridas, que se descobriram funcionando como xamãs para as massas. Elas, também, ficaram exaustas e caíram dos céus. Frances Farmer, Billie Holiday, Anne Sexton, Sylvia Plath, Sara Teasdale, Judy Garland, Bessie Smith, Edith Piaf e Frida Kahlo — é triste que a vida das nossas figuras-modelos de mulheres selvagens e artísticas preferidas tenha terminado de forma trágica e prematura. Uma mulher braba não tem força suficiente para assumir, no lugar de todo mundo, um arquétipo extremamente almejado sem entrar em colapso. A mulher braba está em processo de cura. Não costumamos pedir a um convalescente que carregue um piano escada acima. A mulher que está voltando precisa ter tempo para se fortalecer." (Clarissa, no Mulheres que correm com lobos)
"sou ariano torto, vivo de amor profundo..."
E as vidas contrariam; ou toda ariana que conheço é torta também.
Meu irmão, nascido duas semanas antes de mim, virada de março pra abril do mesmo ano, percebe igual:
- A gente se joga de cabeça em cada poça!
E foi com ele que percebi que, no fim, nada apaixona mais do que a nossa liberdade.